19th International Leprosy Congress

Ainda marcada por preconceito e desinformação o tema da hanseníase é recorrente e motiva ações do Ministério da Saúde e dos municípios. Uberlândia segue essa regra. Dados do Programa Municipal de Controle da Hanseníase apontam que a taxa de prevalência para cada 10.000 habitantes, foi de 1,2 em 2013. Um pouco acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que indica que a doença está controlada quando a taxa de prevalência de casos é inferior ou igual a 1 a cada 10.000 habitantes.

 

Com o tema “Hanseníase não é lepra”, a Secretaria Municipal de Saúde juntamente com  Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária e Hanseníase da Universidade Federal de Uberlândia (Credesh – HCS/UFU) e parceiros, promove um série de atividades durante esta semana com o trabalho de romper preconceitos.

 

Entre as mobilizações estão ações educativas, com distribuição de material nas unidades de saúde e orientação a população sobre aspectos comuns da doença, bem como organização de escalas de voluntários para ações de conscientização e tratamento. Para suavizar o tema, ainda cercado pelo estigma, a programação conta também com palestras educativas. Segundo a coordenadora do Programa Municipal de Controle da Hanseníase, Aparecida Helena Teixeira de Oliveira, “semelhantes ações de vigilância realizadas em anos anteriores levaram a identificação de casos e ao tratamento de pessoas que sequer imaginavam ser portadoras da doença”. As atividades da agenda semanal acontecem principalmente na UFU e no prédio do Centro Administrativo Municipal. As pessoas que passarem por estes locais terão acesso ao material educativo (veja horários abaixo).

 

Novos casos

 

A cidade registrou 59 novos casos da doença em 2013, enquanto em 2012, foram 67 novos casos. “O aumento de casos não implica diretamente no crescimento da doença. Isso pode indicar um crescimento na busca e ampliação da capacidade de diagnóstico”, analisa Rosuita Fratari Bonito, diretora de Vigilância em Saúde de Uberlândia. Outro fator observado é a taxa de prevalência dos casos entre crianças e adolescentes menores de 15 anos. A ocorrência deste tipo de caso indica muitas vezes que existe um outro membro da família com a doença possivelmente ainda não diagnosticado. Uma campanha realizada em Uberlândia em 2013 selecionou 2 mil crianças e adolescentes de escolas do município que deveriam passar por uma pesquisa secundária e nenhum caso foi registrado. Neste sentido, ações de busca e controle são realizadas nas escolas do município. Em 2013, apenas dois casos foram detectados.

 

Doença infecciosa, contagiosa e crônica, a hanseníase ainda apresenta um número elevado de casos em algumas regiões do Brasil. Os maiores índices ainda se concentram nas regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste. Segundo especialistas, isto se explica devido a falta de conhecimento de pacientes e da população sobre sintomas e sinais de contágio. Preconceito e estigma também ajudam agravar o problema. 

 

Sintomas

 

Os sintomas da doença se parecem com o de outras enfermidades dermatológicas, o que prejudica o senso de urgência do portador em procurar ajuda durante os primeiros sinais do contágio. Hanseníase é transmitida por meio de tosse e espirros, de uma pessoa contaminada para outra, especialmente pelo convívio íntimo e prolongado com o doente que ainda não recebeu tratamento medicamentoso.

 

Entre as características indicativas da doença estão lesões com dormência na pele, podendo ter coloração esbranquiçada ou avermelhada sendo de alto ou baixo relevo, costuma não coçar e é muitas vezes associada à urticária. 

 

Tratamento

 

A pessoa que perceber algum sintoma semelhante deve procurar o serviço de saúde. No momento em que se inicia o tratamento, a Rifampicina, medicamento administrado nestes casos, elimina 99% dos bacilos causadores da doença e reduz a capacidade de transmissão entre pessoas em até 90%. Desta forma, não é necessária nenhuma forma de preconceito ou discriminação a portadores da doença. O tratamento é realizado em ambulatórios, por meio de medicamentos orais, imediatamente após a confirmação do diagnóstico, e dura de seis a doze meses.  

 

É importante que o paciente tenha essa consciência e que os familiares e amigos dêem suporte para ele ir até o fim do tratamento. Não há necessidade de isolamento dos portadores. Os medicamentos são distribuídos de graça. A hanseníase não é uma doença incurável, sendo assim o diagnóstico precoce reduz o risco do contágio e aparecimento de sintomas debilitantes em estágios mais avançados da doença.

 

Para que exista a possibilidade de um tratamento mais rápido e menos incômodo é importante que a pessoa se desprenda do receio e procure ajuda em caso de sinais e sintomas da enfermidade. “A estrutura do centro de controle somada à abordagem dos profissionais, promovem recuperação e tratamento integral até mesmo nos casos mais avançados”, acrescenta a coordenadora Aparecia Helena. 

 

Não há espera para marcação de consulta nestes casos e o tratamento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e totalmente gratuito. 

 

Sinais e sintomas:

 

• Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade;

• Área de pele seca e com falta de suor;

• Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;

• Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade ao calor, dor e tato. A pessoa se queima ou machuca sem perceber;

• Sensação de formigamento (Parestesias);

• Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés;

• Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.

• Úlceras de pernas e pés.

• Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.

• Febre, edemas e dor nas juntas.

• Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz.

• Ressecamento nos olhos. 

 

http://www.uberlandia.mg.gov.br/?pagina=agenciaNoticias&id=6474

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